Organize o centro de suas atividades – os seus pensamentos, as suas idéias… Porém, não queira nunca ter filhos com a Coerência, nem amancebar-se com o talento das sensatezes.
Duvide sempre do aperto de mão companheiro; sinta o calor das intenções; elas são a causa de tantos segredos-inconfessáveis.
Lute pela vida que não queira afastar-se das aventuras-perigosas. Porque gozar do “vento das altitudes” é coisa rara hoje em dia, e comer da “fruta das montanhas”, é sabor para poucos paladares.
Viver pela Liberdade é ilusão de gente-boba que nunca parou pra pensar que é apenas um Idealismo – um sonho impossível este “viver-livre”: encontrar a Liberdade. Não nascemos livres! Nem livres seremos.
Erroneamente pensam as pessoas que dizem que não se deve “cometer” antinomias em um Discurso. As palavras são máscaras que se disfarçam somente pra persuadir o Outro de sua veracidade/falsidade. Não acredite nas palavras. São apenas meras cópias do mundo circundante que o pensamento se utiliza para enveredar explicações sempre demoradas.
Explicações demoradas são, geralmente, céticas.
Explicações breves são dogmas que partem de uma ilusão-particular mal intencionada.
Das duas explicações citadas, é preferível a sua explicação.
Você pode explicar o mundo partindo de seu próprio atman, de sua própria perspectiva.
Você pode tudo, desde que tenha o poder de doar poder a seu próprio agir, pensar, falar.
Tudo é possível desde que se acredite na impossibilidade de não poder. É crível que tudo é possível sob o ponto de vista subjetivo. Não obstante, acreditar, ter fé, é semelhante ao ato de criar uma Monera para nela depositar uma confiança própria, peculiar – transformas o Desejo particular, em Idealismo que escapa o controle: não tardará até que esta Monera (o idealismo) cuja criação é devida somente a você, domine-te, e te faça um joguete dos teus próprios sonhos.
Você é o principal criminoso da vida. O protagonista das nefastas que faz de tudo pra aparecer bonzinho e tornar o final da novela bonito, colorido. Mas saiba que com sangue toda vida recebe sua verdadeira cor; cor devida pela dor de viver num mundo de carniceiros e tubarões famintos.
Seu maior pecado foi o de ter nascido de uma vagina que ofegava suores, sangue e gemidos.
Sua maior loucura foi pensar e acreditar que um dia os homens seriam felizes.
Organize o centro de suas atividades. Veja que o mundo é torpe-comédia de atores mal humorados. No mundo as pessoas só se preocupam com si mesmas, e farão de tudo pra subir, nem que pra isso essas pessoas tenham que fazer descer metade da humanidade.
Se você pensa que vão te tratar bem, és um tolo. Pois alguém só trata bem a outro alguém somente se esse alguém for uma fonte de riqueza ou um trampolim para o Sucesso. Não falo somente das riquezas materiais como dinheiro, porém, às vezes, o desejo de conter os soluços de uma outra pessoa, carrega outro desejo escondido, oculto: o de ser dono também dos desejos alheios, dominá-los, estuprá-los, devassá-los.
Não creia que o homem seja fiel-animal. Em todas as Religiões e Mitos vemos essa triste-certeza se confirmar. O Judas, o traidor; Loki, o mentiroso…
Nada é tão vil como o homem. Todos reunidos em sociedade é um perigo-mundial. Vemos isso todos os dias; sentimos que o mundo não tardará a enfartar.
[12h34min; segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008].
II
O leitor poderia dizer que hoje em dia a poesia não vale nada. Os grandes poetas da humanidade (considerando que humanidade é somente aquela “parte letrada e cultamente letrada na filosofia do Ocidente”) há muito já se foram. Não há nada que os supere; suas poesias são eternas, imutáveis, atemporais.
É certo que hoje em dia a opinião que se tem de poesia traduz (revela) exatamente uma cultura alienada na boa-conversa (prosa poética) e no palavreado-florido e rimado dos antigos, passando por alguns poetas medievais e chegando, por fim, aos poetas que fizeram parte do exército-iluminista. Não se deu atenção aos grandes oradores da palavra do submundo, da irracionalidade (vista, sempre, erroneamente, sob idiossincrasia negativa), do improviso, do non-sense… Parece-me que se o mundo dos homens não é capaz de “produzir” poesia (produzir não no sentido capitalista, nem profissional), certamente já nos aproximamos do Fim – A Derrocada dos Mortais.
Se falo do Hoje, meus amigos, quero dizer tão somente que não sinto, em minhas teias-poéticas, “um fluir explosivo” de poetas engendrando novas-poesias. Não vislumbro poetas que não sejam de longe meros contempladores e perpetuadores de tolices e, no mais das vezes, são sórdidos plagiadores e porque não dizer, criminosos em busca de um poema que, para suas peculiares capacidades, seria impossível de “produzir”. A falta de criatividade, de novidade que percebi nessas gerações de poetas brasileiros causa-me espanto. Para não citar alguns poetas que eu considero medíocres; prefiro calar-me. Não que eu, como me auto-intitulo Poeta, considere-me um exemplo de poeta-mágico e inovador… Mas tão somente como um leitor apaixonado e ávido “buscador” de talentos ocultos (quiçá, esquecidos) sinto assaz dificuldade em encontrar “atletas” de um nível próximo ou até mesmo superior ao de poetas como Albino Forjaz, António Botto, ou, pra citar os mais conhecidos, Lord Byron, Charles Baudelaire, Isidore Ducasse, Rimbaud e porque não dizer Edgar Alan Poe, Augusto dos Anjos, Cruz e Souza e Kerouac.
A verdade é que o mundo do mercado de trabalho, da tecnologia, da “informação-teleguiada” não deixou espaço para a “arte-livre”: livre de intenções-monetárias, do “equivalente de status” e da superprodução. Quantas vezes já me deparei com poetas (só no nome) que diziam: - estou a escrever um livro. E eu disse-lhes: ótimo! Estou ansioso! Mas, como haveria de ser, decepcionava-me ao saber que esses mesmos poetas, preocupados em terminar seus trabalhos, forçavam-se a escrever pra terminar tudo no prazo que estabeleceram. Decerto, não havia inspiração necessária para terminar um livro. Seria melhor esperar a asa de a loucura dar o seu consentimento para escrever… mas parece que em muitas pessoas, um poema tem de ser escrito semelhante ao ato de escrever um texto frio, uma dissertação racionalmente determinada, e com isso, sem nenhuma importância para o Espírito.
É assim que vejo a poesia na atualidade. Dos vários poetas e poemas que me deparei, todos estão preocupados em se profissionalizar e de exibir um livro com mais de 100 páginas crendo que com isso conquistarão leitores. Certamente conquistarão, porém, leitores de tolices e palavras articuladas na objetividade das intenções-ambiciosas. Serão grandes poetas!
“Um poema que não vem do coração, não tem forças para durar a eternidade”.
[12h18min; 12 de fevereiro de 2008].
III
¿O que me importa a Grandeza? ¿Uma grandeza que não me trará bons-frutos? Não sou uma árvore. Só tenho folhas impressas com palavras que provém de um sentimento particular de querer comunicar o meu próprio e correlativo-sentimento. Não me preocupo se as palavras são desnecessárias ao entendimento; se não são ornadas com palavras que não se encontram nos dicionários comuns; se não são palavras estrangeiras escritas com uma letra diferente, distinta.
Não sou contra ao ato de o escritor rever seus próprios escritos e alimentá-los com outras palavras, temperá-lo com analogias, e de organizar tudo (mesmo que este “organizar” seja um “desorganizar” as estruturas “normais” de um poema/texto). Um poema não precisa ser rimado. O conceito de poesia que todos os poetas verdadeiros deveriam concordar é o de que “o poema necessariamente deve provir do sentimento”, mesmo que este seja mesclado com várias “razões”.
Acredito haver muito mais poesia na “descrição da vida” por um mendigo, por uma prostituta, por um miserável na pobreza, no lixo, do que de um otário que fica trancado em seu escritório escrevendo poemas que, longe de realmente serem sentidos pelo ente que escreve, são escritos apenas para preencher folhas de um livro que será posto nas livrarias do país. Vão à merda todos desse tipo! Isso sim, é poesia!
[12h35min; 12 de fevereiro de 2008].
IV
Pra conversar agora melhor com os senhores leitores, gostaria de convidá-los pra ler meus poemas. Se são poemas e se não me engano no sentido das palavras e também no significado da palavra poesia, creio haver imprimido nestas páginas algo que pra maioria das pessoas (comuns) não é de bom-gosto. Como já conheço bem (experiência esta bastante repugnante) a sociedade que eu vivo mergulhado, ou melhor, afogado – aviso de antemão que aqui neste livro não se encontrará escrúpulos, ensinamentos enaltecedores da Paz e dos ideais desses três-últimos-séculos-fraternos. Não se encontrará poemas escritos com paciência-objetiva, porém poemas-reais produtos de um sentimento-real – poemas indomáveis, sedentos, famintos por gozo, explosivos, bombásticos.
Às vezes, oh senhores leitores, encontrar-vos-ão em minhas palavras algumas outras palavras que, emparelhadas, rimam. Outras: encontrar-vos-ão poemas um tanto ásperos, áridos: como um sujo-rato faminto e carnívoro que foi colocado propositalmente dentro do berço-rosa de uma inocente-criança.
Ei-me feliz em enaltecer o submundo-exterior e d’exteriorizar (mesmo que parcialmente) em palavras o submundo-interior do homem. Um submundo esquecido, escuro e tenebroso que está escondido em todos nós, mas se nos escapa, e nós mesmos agradecemos este escapar (fuga) de nossa vil-natureza; há muito sentimo-la balançar seu rabo (e picar veneno) em nossa consciência, e, com religiosa determinação, conseguimos amenizá-la com hipocrisia e capuzes.
[13h00min; 12 de fevereiro de 2008].
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